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História do Carnaval

14/01/2008
História do Carnaval

Conheça aqui no RankBrasil a história do Melhor e Maior Carnaval do Mundo, que arrasta multidões embaladas pelo ritmo brasileiro...

História do Carnaval
A palavra Carnaval ainda não tem uma origem definida, mas estudos encontram vários significados possíveis. No latim medieval as palavras carnem levare ou carnelavarium, que significa a véspera da quarta-feira de cinzas, quando começa a abstinência de carne durante a quaresma.

Em Roma, era comemorada a Glória do deus Saturno, as Saturnais. A euforia tomava conta da população. Na abertura dessas festas, carros buscando semelhança a navios saíam na "avenida", com homens e mulheres nus, eram os carrum navalis, estudos apontam essa explicação para o termo Carnevale.

O Carnaval é uma festa com características bem marcantes de disfarces, máscaras, baile, músicas, danças, gestos, manifestações folclóricas que podem aparecer de formas diferentes dependendo da região em que acontece.

A história das festividades no Egito revela uma tradição de celebração à fertilidade e a colheita, nas primeiras lavouras às margens do rio Nilo, há seis mil anos. Os agricultores dançavam em volta da fogueira, para a realização da comemoração.

A cultura judaica cristã que se fundamenta na abstinência, na culpa, no pecado, no castigo, na penitência e na redenção renega e condena o carnaval com manifestações sexuais, mas no século 15, o Papa Paulo II introduziu o baile de máscaras na realização do carnaval romano.

Carnaval no Brasil

A festa popular chegou ao Brasil por volta do século 17 e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa, onde o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos e os carnavalescos usavam máscaras e fantasias.

No século 19 começaram a surgir os primeiros blocos carnavalescos, que originaram os carros alegóricos típicos das escolas de samba atuais. O carnaval brasileiro ainda é considerado um dos melhores do mundo, tanto pelos turistas estrangeiros como por boa parte da nação, principalmente o público jovem, mas hoje nem um décimo da população participa ativamente do carnaval, diferente do que ocorria no fim do século 19 e na década de 50, época de ouro da comemoração.

No século 20 o carnaval foi crescendo com as marchinhas carnavalescas e começaram a ser acrescentados elementos africanos, que contribuíam para o desenvolvimento e originalidade da festa, as músicas deixavam o carnaval cada vez mais animado.

A primeira escola de samba surgiu no ano de 1928 no Rio de Janeiro e chamava-se “Deixa Falar”, criada pelo sambista carioca chamado Ismael Silva. Alguns anos depois a “Deixa Falar” transformou-se na escola de samba Estácio de Sá, a partir daí o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato com novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatos para verificar qual escola era mais bonita e animada.

Com a oficialização dos desfiles, a partir de 1935, as escolas passam a receber subsídios da prefeitura, transformando-se, a partir de 1952, em sociedades civis, com regulamento e sede, com eleições periódicas para a diretoria da escola, diretor da bateria, que comanda os instrumentos, e um diretor de harmonia, responsável pelo entrosamento da orquestra.

Curiosidades

O carnaval de rua manteve suas tradições originais na região Nordeste do Brasil. Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem às ruas durante o carnaval no ritmo do frevo e do maracatu. Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região. Na cidade destacam-se também os blocos Olodum e Ileyaê, além dos blocos de rua e do Afoxé Filhos de Gandhi.

O confete, a serpentina e o lança-perfume, três elementos que, entre o início do século e a década de 1950 animaram o carnaval brasileiro de salão, também cooperaram para o maior êxito ao carnaval de rua. As batalhas de confete constituíam o momento culminante da festa que apresentava passeatas e carreatas de conversíveis, de capota arriada, enfeitados de panos coloridos e bandeirolas, conduzindo famílias ou grupos de foliões, as moças fantasiadas de saias bem curtas, cantando ou jogando serpentinas e confetes nos pedestres, que se amontoavam nas beiras das calçadas para vê-las passar.

As fantasias

O uso de fantasias e máscaras no Brasil fez mais de setenta anos de sucesso, 1870 a 1950, mas a partir da década de 30 começou a declinar, quando encareceram os materiais para confeccionar as fantasias. As roupas de disfarce, ou as fantasias que embelezaram rapazes e moças, foram aos poucos sendo reduzidas para dar mais liberdade de movimentos e celebrar o período mais quente do ano em território brasileiro.

Aos poucos, os homens foram preferindo a calça branca e a camisa-esporte, até chegar à bermuda e ao busto nu, mas isso só depois da década de 1950, as mulheres passaram a usar fantasias mais leves, atingindo, depois, o maiô de duas peças, colares de enfeite e ornamentos.

Figuras Carnavalescas

Colombina - Como Pierrô e Arlequim, é um personagem da Comédia Italiana, uma companhia de atores que se instalou na França entre os séculos XVI e XVIII para difundir a Commedia dell'Arte, forma teatral original com tipos regionais e textos improvisados.

Arlequim - Rival de Pierrô pelo amor de Colombina, usava traje feito a partir de retalhos triangulares de várias cores. Representa o palhaço, o farsante, o cômico.

Pierrô - Personagem sentimental tem como uma de suas principais características a ingenuidade.

Momo - Personagem que personifica o carnaval brasileiro. Sua figura foi inspirada no bufo, ator de proveniência portuguesa que representava pequenas comédias teatrais que tanto divertiam os nobres.

Pernambuco e Bahia

O carnaval pernambucano, especialmente em Olinda e Recife, é um dos mais animados do país, e essa característica cresceu devido à extinção do carnaval de rua na maior parte das cidades brasileiras, por causa do desfile das escolas de samba.
Os ritmos que embalam o carnaval pernambucano são o frevo, o maracatu (afro-brasileiras), as agremiações de caboclinhos (folclore), a imensa participação popular nos blocos e os clubes de frevo. Em Recife e Olinda os foliões cantam e dançam, mesmo sem uniformes ou fantasias, ao som das orquestras e bandas que fazem a festa.
Outra cidade que apresenta grande participação popular onde todos cantam, dançam e brincam é Salvador – BA. A festa começa em dezembro, coma abertura na celebração a Conceição da Praia. Na década de 70 surge algo diferente do frevo, mas que conseguiu contagiar a todos, o trio elétrico, um caminhão no qual se instalam aparelhos de som, equipados com poderosos alto-falantes que reproduzem continuamente as composições carnavalescas gravadas.

Escolas de Samba Vencedoras - Rio de Janeiro

A partir de 1984 o carnaval passou a acontecer no Sambódromo, projetado pro Oscar Niemeyer e construído a partir de 1983. Ocupa a avenida Marquês de Sapucaia, local tradicional dos desfiles das escolas principais.

1985 - Mocidade Independente
1986 - Mangueira
1987 - Mangueira
1988 - Unidos de Vila Isabel
1989 - Imperatriz Leopoldinense
1990 - Mocidade Independente
1991 - Mocidade Independente
1992 - Estácio de Sá
1993 - Salgueiro
1994 - Imperatriz Leopoldinense
1995 - Imperatriz Leopoldinense
1996 - Mocidade
1997 - Viradouro
1998 - Mangueira / Beija Flor
1999 - Imperatriz Leopoldinense
2000 - Imperatriz Leopoldinense
2001 - Imperatriz Leopoldinense
2002 - Mangueira
2003 - Beija-Flor
2004 - Beija Flor
2005 - Beija-Flor
2006 - Unidos de Vila Isabel
2007 - Beija-Flor

Escolas de Samba Vencedoras - São Paulo

O carnaval na cidade de São Paulo era uma festa restrita aos salões, mas começou a ser praticado nas ruas, atendendo às influências das escolas de samba do Rio de Janeiro, enfatizando o luxo das fantasias e alegorias.

1985 - Nenê de Vila Matilde
1986 - Vai-Vai
1987 - Vai-Vai
1988 - Vai-Vai
1989 - Camisa Verde e Branco
1990 - Camisa Verde e Branco/Rasas de Ouro
1991 - Camisa Verde e Branco/Rasas de Ouro
1992 - Rosas de Ouro
1993 - Camisa Verde e Branco/Vai-Vai
1994 - Rosas de Ouro
1995 - Gaviões da Fiel
1996 - Vai-Vai
1997 - X-9 Paulistana
1998 - Vai-Vai
1999 - Vai-Vai / Gaviões da Fiel
2000 - Vai-Vai / X-9 Paulistana
2001 - Vai-Vai / Nenê de Vila Matilde
2002 - Gaviões da Fiel
2003 - Gaviões da Fiel
2004 - Mocidade Alegre
2005 - Império de Casa Verde
2006 - Império de Casa Verde
2007 - Mocidade Alegre

Instrumentos – Escola de Samba

Surdo de primeira: é o maior surdo o que dá o andamento principal ao samba, servindo como base. Os puxadores se guiam por ele para não acelerar ou desacelerar o canto do samba. Tem uma afinação mais forte e mais aguda do que a dos surdos de resposta.

Surdo de segunda: é a resposta ao surdo de primeira. Serve como sustentação para o samba no momento em que o surdo de primeira está 'parado', sendo um contraponto.

Surdo de terceira: aparece entre os outros dois um pouco antes do surdo de segunda. Serve para dar um ritmo especial, quebrando a dureza dos outros surdos e dando um balanço à marcação. A batida varia de escola para escola, pois cada uma utiliza um tempo de corte.

Caixa de guerra: é o que dá o som característico ao samba. Só com o som da caixa já se pode identificar uma escola de samba. É sempre tocado com duas baquetas, e tem duas cordas sobre o 'couro' que dão uma afinação diferente. Marca o andamento, mas permite floreios que não ocorrem nos surdos.

Repique: é uma resposta à caixa. É bastante utilizado nas paradas e nas viradas do samba, como sinal para a volta dos demais instrumentos.

Chocalho: há chocalhos com duas, três, quatro, cinco e até seis fileiras. Não há uma grande diferença no som dos chocalhos devido ao número de fileiras, mas uma maior quantidade de fileiras produz um som mais forte. Esse instrumento aparece mais nos refrões. O chocalho ajuda a caixa a dar o suingue do samba, mas é mais leve.

Tamborim: é um dos instrumentos mais importantes, já que faz todo o desenho do samba. Enquanto os surdos e a caixa fazem uma marcação contínua, o tamborim faz diferentes bossas no samba. Sua baqueta pode ter ponta única ou múltipla, o que produz sons diferentes. Por sua importância dentro da bateria, o naipe de tamborins costuma ter diretores específicos para ele.

Cuíca: o som da cuíca é produzido através de uma pequena haste que fica em seu interior, que puxa um couro esticado que reveste o instrumento. Seu andamento é dependente da marcação dos surdos, que são seguidos pela cuíca.

Agogô: tem um dos sons mais agudos da bateria.

Reco-reco: formado por uma haste e um pedaço de madeira ou metal, seu som é produzido pelo atrito entre essas partes. Algumas baterias já não têm mais reco-recos entre seus ritmistas, mas muitas ainda mantêm esse instrumento.

Pandeiro: dá um ritmo característico ao samba, mas tem um som pouco audível no conjunto da bateria. Por isso, muitas escolas aboliram o pandeiro de suas baterias. É usado como 'alegoria' por muitos ritmistas, que o tocam para as mulatas sambarem e fazem coreografias.

Prato: é outro instrumento utilizado basicamente como 'alegoria' pelos ritmistas. Em geral, as escolas têm uma ou duas pessoas com o prato, à frente da bateria, sambando e fazendo malabarismos com os pratos. O som, produzido pela batida de um prato no outro, é bastante forte.

Redação: Raquel Susin - 14/01/2008